Chapter Text
Os ultimos anos foram relativamente pacificos.
Os elfos e dragões se estavam mantendo afastados, não fizeram nenhuma tentaiva conhecida de ataque ou invasão ao lado humano da fronteira. Os humanos, claro, permaneceram alertas, mas tampouco foram abertamentes violentos ou entraram em Xadia para fins de guerra (bom, a maioria dos reinos não, pelo menos).
Harrow não era rei há muito tempo, fora coroado fazia apenas quatro anos, ao lado de sua esposa Sarai, após a morte de seu pai por causas ¨desconhecidas¨ (mas é calro, Harrow sabia a verdade).
Seu pai não era um homem muito bom, Harrow demorou alguns anos até poder admitir isso para si mesmo. Sempre foi amante da magia sombria, acreditando que os humanos estavam por cima da cadeia alimentar, superior a qualquer tipo de vida xadiana, sobretodo dos elfos, aos quais seu pai odiava com uma paixão ardente. Harrow cresceu aprendendo a como combater elfos, a fraqueza de cada tipo, suas lutas caracteristicas, e claro, ouvindo de seu pai historias sobre como os elfos são seres sanguinarios, maquinas de matar sem emoções, guiados apenas pelo desejo de destruição sem nenhum tipo de pensamento coerente.
Mas muitos de seus preconceitos foram quebrados pela sua avó, que havia falecido poucos anos antes de Harrow assumir o trono. Ela lhe contava historias de elfos bondosos, que defendiam sua casa e usavam magia verdadeira para curar e entreter, dizia que eles podiam sentir se alguem era puro de coração. Ela não acreditava realmente em todas as historias, mas começou a tentar ver os lados da guerra por outros angulos.
Antes de morrer, seu pai lhe deixou um trono manchado de sangue para governar. O homem usava qualquer desculpa e oportunidade para atacar Xadia. Quando Haroow assumiu tentou o maximo possivel acabar com esse derramamento de sangue desnecessário e era nisso que ele vinha trabalhando nos ultimos quatro anos.
Agora eles estavam em tempo de relativa paz, nenhuma guerra sendo travada, apenas ocasionais violalções da brecha para suprimentos e alguns humanos ou elfos que queriam testar a sorte no outro lado da fronteira, mas nenhum ataque realmente planejado.
Hoje, Harrow estava comemorando o oitavo aniversario de seu filho Callum (afilhado realmente, mas isso não importava ao homem), junto de sua esposa e seu filho mais novo Ezram. Ele deu de presente ao menino alguns materiais artisticos que ele vinha falando ssobre ja havia algum tempo. O menino adorava desenhar.
Foi um dia bom, de diversão familiar, mas é claro que isso não poderia durar muito tendo em conta sua sorte.
No final da tarde, enquanto estavam jogando alguns jogos de tabuleiro, a sacerdotisa e membro do conselho real do castelo, Lady Opeli, interrompeu pela porta do salão.
-Meu rei, minha rainha - ela disse fazendo uma rapida reverencia - peço perdão por interromper, mas surgiu um assunto urgente e o conselho espera vossa presença.
Com um suspiro, Harrow se levantou de sua posição agachada frente à mesa, sua esposa fazendo o mesmo. Eles sabiam que se a propria Opeli veio busca-los, deveria ser realmente importante. A mulher nunca o interromperia quando ele havia pedido privacidade, a menos que fosse questão de vida o morte.
-Muito bem, estou indo. - ele disse com uma expressão e tom que deixaram claro que estava aborrecido. Virando-se para seus filhos com uma expressão gentil, acrescentou - Sinto muito meninos, isso deve ser importante. Callum, que tal ir ao seu quarto com Ezram e testar seus novos materiais de desenho enquanto eu e a mamãe resolvemos isso. Não vamos demorar.
O menino, claramento decepcionado, assentiu com a cabeça enquanto puxava sua bolsa de presentes e pegava a mão de seu irmão mais novo enquanto saia pela porta principal, passando por Opeli que fez uma pequena reverencia em direção aos meninos. De todos os membros do conselho, ela sem duvida era sua favorita, ela nunca fez distinção entre seus filhos, tratando os dois como principes legitimos, ao invés de como a maioria tratava Callum como se ele fosse um bastardo. Obvaimente, a ideia de se casar com uma mulher que não era da realeza não agradou á todos, Sarai era general do batlhão permanente ao lado de sua irmã Amaya quando Harrow a conheceu. Ele não poderia pedir uma esposa melhor, ela era forte e destemida mas tambem poderia ser extremamente carinhosa e gentil, sempre pensando nos dois lados de uma batalha.
Ele e Sarai seguiram Opeli até o salão de runiões, onde seus conselheiros ja estavam reunidos ao redor de uma retangular mesa de madeira. Havia apenas um homem de pé, o alto mago, Lorde Viren que se virou quando eles entraram, fazendo uma sudação antes de apresentar:
-Majestades, sinto muito pela reunião repentina, mas chegou ao meu conhecimento uma questão que não poderia esperar
-Por favor, lorde Viren, prossiga. - respondeu Sarai, enquanto ela e Harrow se sentavam nas duas cadeiras na ponta da mesa. Sarai nunca gostou de Viren, isso era obvio, ela sempre foi contra seu uso da magia sombria, vendo a pratica como cruel e maligna.
-Recebi cartas preocupantes dos magos dos reinos de Duren, Del Bar, Eveneer e Neolandia. Todos sentiram uma estranha presença ontem ao entardecer, me reuni com eles nesta manhã e todos concordamos que a magia que foi sentida no ar pertence a magia das estrelas, que pensavamos estar extinta, por isso parecia tão estranha. Tememos que os xadianos estejam planejando algo extremamente poderoso contra nós. Devemos-
-E o que te faz ter tanta certeza, lorde Viren? - interrompeu Sarai, levantando a mão em um gesto de ¨pare¨, com uma cara de claro aborrecimento - isso poderia ser simplesmente algo não relacionado com os humanos, o que te faz pensar com tanta certeza que é o inicio de um ataque direcionado a nós?
-Minha rainha, eu e os outros alto magos dos reinos vizinhos nos dedicamos para entede-lo. Passamos muitas horas provando todo tipo de magia conhecida para que pudessemos descobrir o que havia causado aquela presença. Nunca havia sentido nada parecido. - Viren fez uma expressão que, se não o conhecesse bem, Harrow diria que era de medo - Tenho motivos claros para suspeitar que é um novo tipo de arma movida pela magia conectada ao arcanum das estrelas.
-E o que você sugere que façamos? - perguntou Harrow
-Eu sugiro um ataque direto contra Xadia, tenho a localização proxima de onde o feitiço foi lançado.
-Isso é um absurdo. - disse Opeli com a voz beirando ao grito - Você quer que ataquemos às cegas por causa de uma ¨sensação¨ que você teve?
Houve murmurios de concordância dos outros membros do conselho, mas nenhum realmente falou algo relevante para a situação, apenas algumas ofensas direcionandas a Xadia de vez em quando. Talvez Harrow devesse substituir alguns membros... bem, isso ficaria para mais tarde.
Sinceramente, ele não sabia relamente o que fazer nessa situação. Tudo o que Viren tinha era uma sensação. Em outro cenario, ele teria rido e saido, mas o alto mago estava tão convencido disso que marcou uma reunião do conselho e parecia genuinamente preocupado. Bem, ele teria que verificar isso ja que não fora apenas Viren que chegou à essa conclusão, mas os outros magos dos reinos vizinhos tambem. Mas ele não poderia ignorar que talvez o alto mago estivesse apenas tentando conseguir um motivo para atacar Xadia, não era nenhum segredo que Viren odiava os elfos e dragões quase tanto quanto seu pai. Essa raiva compartilhada foi um dos motivos pelo qual o antigo rei havia aceitado Viren como o alto mago do reino.
-Ja chega. - disse Harrow, calando os dois membros do conselho que pareciam prestes a começar uma briga - Um confronto está absolutamente fora de questão, seria imprudente e poderiamos começar uma guerra indesejada.
-Talvez possamos tentar marcar uma reunião diplomatica com o rei dos dragões - disse Sarai enquanto olhava para longe, como se estivesse analisando algo dentro de usa mente.
-Absurdo. - respondeu Viren agitando a mão - Esse monstro não vai nos ouvir, o mais provavel é que nos mate nada mais nos ver.
-Majestade, é uma boa ideia, mas infelizmente concordo com Viren. - disse Opeli, com um toque de nojo ao dizer a ultima parte - Trovão não vai querer nos dar ouvidos.
Trovão, o rei dos dragões. Ninguem sabia se ele realmente tinha um nome, mas era assim que eles o chamavam. O rei foi impiedoso na guerra, matando centenas de soldados com apenas um movimento. Harrow poderia ter rido da sugestão de Sarai não muito tempo atrás, mas atualmente não era uma aposta tão arriscada. Eles passaram os ultimos anos sem conflitos e talvez a esperança de um encontro civilizado fosse possivel.
-Vamos tentar. - disse Harrow abruptamente, fazendo com que todos os membros do conselho olhassem para ele como se estivesse crescendo uma segunda cabeça - É nossa melhor opção no momento e se a magia foi realmente tão poderosa, é muito provavel que os elfos e dragões a tenham sentido também. Podemos tere um enemigo em comum, no melhor dos casos. Escreverei uma carta e então entreguarei à General Amaya para que ela repasse aos elfos do sol na brecha e que chegue ate Trovão. Esse é o plano, vocês estão dispensados.
Harrow ignorou os protestos ao plano enquanto se dirigia para fora da sala de reuniões e caminhava até seu escritorio.
Ele rapidamente escreveu uma carta contando os poucos detalhes que tinha do ocorrido e expressando suas preocupações (as preocupações de Viren, mais bem dito) e pedindo, pela primeira vez em seculos, uma reunião com o Rei dos dragões em um local neutro da fronteira.
Colocando o selo da familia real de Katolis e finalmente selando a carta tão cuidadosamente escrita, ele foi até seu companheiro Pip (um passaro que ele resgatou quando filhote) e amarrou a carta em seu tornozelo. Ele quase nunca usava Pip para entregas de cartas, mas esse era um assunto urgente e assim a carta deveria chegar mais rapido à brecha.
Com um bater de asas Pip estava voando noitea afora, levaria pelo menos 3 dais até que a carta chegasse, tendo em consideração os momentos de descanso do animal.
Harrow suspirou, ele esperava que Amaya entendesse e deixasse de lado um pouco de usa raiva pelos elfos para entregar a mensagem pacificamente. Ela comandava a brecha sozinha, uma abertura para o lado xadiano da fronteira, que por sua vez estava guardada por um batalhão de elfos solares, ambos ali pelo mesmo motivo, impedir uma entrada não autorizada.
Amaya era implacavel, uma guerreira admirada por seus aliados e temida por seus inimigos, Harrow admirava o quão longe ela chegou apesar de ser surda e de que todos ao seu redor sempre disseram que ela não conseguiria. Ela e Sarai eram iram irmãs e comandavam o batalhão juntas quando ele as conheceu e se apaixonou por quem hoje é sua esposa.
Deixando as reflexões de lado, ele caminhou até o quarto de seus filhos, desejando pelo menos passar o resto da noite em familia e torcendo para que Callum não estivesse muito chateado.
