Chapter Text
— Hanji? – o mais novo questionou, deitado com os braços sob a cabeça, observando a lua cheia ao lado de seu melhor amigo no deck da casa da árvore da residência de seus pais. Ouviu apenas um resmungo do outro em resposta. — Você se casaria comigo?
— Como é? – sentou-se de supetão.
— Sabe, como os adultos. Aliança no dedo, ritual de união e viver junto pelo resto da vida.
— Eu… por que você tá me perguntando isso? A gente é muito novo.
— Eu sei. Não é agora, no futuro, quando formos mais velhos.
— Eu… sim, Lino. Eu me casaria com você.
— Legal.
↞ ◦ ↠
Jisung brincava com as alças da sacola que segurava, modificando seu formato entre os dedos enquanto cantarolava uma melodia inventada. O elevador parecia demorado demais daquela vez, transformando os segundos que o levariam até o apartamento do Lee em minutos dolorosos. Claro que tudo apenas em sua cabeça, que insistia que, por algum motivo, ele deveria ver Minho o mais rápido possível. Quando ouviu o beep sonoro, saiu de seus pensamentos, vendo a porta se abrir lentamente e os cabelos roxos que conhecia bem aparecerem em seu campo de visão.
— A que devo a honra da visita? – o Lee proferiu entre um sorriso.
— O que você tá fazendo aqui?
— Eu moro aqui? – respondeu incerto.
— Não – chacoalhou a cabeça na esperança de reorganizar seus pensamentos. — O que você tá fazendo em casa em plena tarde de quarta-feira? Não deveria estar na sede?
— Te pergunto a mesma coisa, Hanji – retrucou, erguendo a sobrancelha direita.
— Eu vim entregar sua roupa – Jisung esticou a sacola, torcendo para que sua justificativa fosse o suficiente para não receber mais perguntas.
— Acho que tem algo mais além disso – respondeu, acabando com as esperanças que Jisung tinha de não se aprofundar no assunto. — Senta no sofá que eu vou pegar um café pra gente.
— Não precisa, não quero te incomodar.
— Você vai me incomodar mais se não me contar exatamente o que tá acontecendo.
— E como você sabe que tem alguma coisa acontecendo?
— Intuição.
— Lá vai você com esse papinho dos Lee…
— E eu já errei alguma vez?
— Não… – respondeu após certa hesitação.
— Então você vai me esperar quietinho no sofá, hm? – Minho esticou o braço para bagunçar os fios castanhos do outro, que tentou se desvencilhar do toque.
— Vai logo – Jisung o empurrou levemente, ajeitando os fios antes de virar as costas e se encaminhar até o móvel, deixando a sacola ignorada na mesa de centro.
O mais novo apenas sorriu, indo em direção à cozinha e voltando pouco tempo depois com duas xícaras em mãos.
— Dessa vez não vou perguntar se quer açúcar, porque já sei que não – estendeu uma das xícaras para Jisung. — Mas eu ainda não me acostumei com a ideia de você não adoçar o café.
— Por quê? Eu gosto do amargo.
— É que você comia muito doce, principalmente cheesecake.
— Eu ainda como doce e ainda gosto muito de cheesecake – respondeu. — Mas isso não me impede de gostar de café amargo, eu não tenho mais paladar infantil.
— Mas às vezes ainda parece uma criança.
— Ei! – resmungou, apoiando a xícara na mesinha para virar o corpo na direção do Lee, encarando-o com o cenho franzido.
— O quê?
— Eu achei que você queria me cortejar, não me provocar.
— É mais forte que eu – respondeu com um sorriso no rosto. — Todo mundo sabe que minha linguagem de amor são atos de perturbação.
— Não é assim que você vai me conquistar… – jogou no ar, virando-se em direção à mesa e pegando novamente a xícara para esconder o rubor que teimava em tomar conta de suas bochechas.
— Será? Eu acho que tô fazendo um bom trabalho. Você até veio na minha casa me ver no meio da semana sem avisar.
— Eu não vim te ver, vim entregar a roupa que você me emprestou – pontuou. — E não vim direto na sua casa; fui na sede antes, mas me falaram que o sr. Lee não tava lá. Posso saber o porquê?
— Eu podia até tentar arranjar uma desculpa pra não ter ido pro escritório, mas eu só não quis – deu de ombros. — Tá muito quente e eu me mataria se tivesse que vestir um terno hoje.
— É inacreditável como você não leva seu cargo a sério – negou com a cabeça.
— É claro que levo, eu tô realmente trabalhando de casa. Se eu tivesse ido pra sede, aí que não teria feito nada mesmo.
— Okay, senhor Lee Know. Dessa vez eu deixo passar.
— Oh, obrigado pela permissão – Minho caçoou. — Mas e você?
— Eu o quê?
— Não se faz de desentendido, Hanji. Por que você tá aqui no meio da semana e não no seu próprio território? – perguntou. — E nem vem repetir que é pra entregar minha roupa, isso eu já sei. Você poderia ter me entregado isso em qualquer outro momento.
— Não poderia.
— O que aconteceu?
— Nada demais – deu de ombros. — Eu só... queria saber se você tinha alguma atualização sobre o Seungwoo.
— Eu?
— Você – Minho riu. — Tá rindo de que, idiota?
— Por que eu teria mais informação sobre o Seungwoo do que você?
— Eu não sei?
— Sua prima mandou um e-mail na segunda dizendo que eles já tavam com o cara sob custódia e o Huta respondeu falando que pediu uma coletiva de imprensa com jornalistas de todas as províncias. O caso nem aconteceu no meu território, não teria como eu saber mais do que vocês três sobre isso.
— Ele já tá sob custódia? Quando vai ser a coletiva? – perguntou atônito.
— O grande líder Hanji não acessou o e-mail nos últimos dias?
— Acho que deixei algum passar – respondeu exasperado, ficando de pé em uma tentativa de se acalmar.
— E nem conversou com seu segundo no comando sobre nada disso? – ergueu uma sobrancelha em questionamento.
— Não tive tempo.
— Hoje já é quarta-feira, Hanji – pontuou, colocando-se de pé antes de se aproximar do mais velho. — O que te deixou tão ocupado nesses dias todos senão sua província?
— Eu preferia ficar ocupado com a província – bufou. — Mas na sexta o Felix foi em casa e eu passei mal. Sorte que o doutor Peniel conseguiu me atender no sábado.
— Tá tudo bem? – aproximou-se um pouco mais, o semblante preocupado. — Você tá doente?
— Não exatamente…
— Não começa a falar por enigmas, Jisung – respondeu, segurando o braço do outro entre seus dedos esguios. — Eu fico preocupado.
— Não precisa se preocupar, eu já tô bem.
— E ainda tá afastado por quê? O que aconteceu?
— É uma longa história, você não ia querer saber…
— Claro que ia. Eu tenho tempo.
— Você não tava trabalhando?
— Qualquer coisa o Chan resolve – desdenhou.
— De novo jogando mais trabalho nas costas do hyung? Coitado…
— De novo você tentando desviar o assunto? Que coisa feia…
Os dois se olharam por algum tempo antes que Jisung finalmente resolvesse falar.
— Certo, okay – suspirou, voltando a tomar assento no sofá macio.
— É sério assim? – perguntou aflito, sentando-se ao lado do Han.
— Eu não faço ideia.
— Como assim?
— Eu passei mal na sexta, fui na consulta com o Peniel no sábado e ele falou que não tem como ter certeza do porquê tive esses sintomas.
— Que sintomas?
— Hiper audição, tontura, enjôo, visão turva…
— Que estranho…
— Pois é – suspirou. — Ele acha que pode ser uma reação do meu supressor e pediu alguns exames pra confirmar.
— E aí?
— Ficam prontos essa semana, volto nele na sexta.
— Mas você tá melhor agora?
— Eu tô – deu de ombros. — Mas ele suspendeu o uso do supressor e, como eu fazia uso contínuo, tive que passar por um cio.
— Oh.
— Pois é…
Alguns segundos de silêncio foram necessários para que Minho continuasse a conversa.
— Mas se você passou pelo cio no fim de semana, porque tá afastado do trabalho até agora? – franziu o cenho.
— Lino… – foi interrompido.
— Por que você tá mentindo pra mim?
— Mas eu não tô mentindo!
— Você disse que tava bem!
— E eu tô! – esclareceu.
— Você não tá trabalhando! Isso é muito estranho.
— O doutor me pediu pra ficar de repouso essa semana e passar pelo retorno com ele antes de voltar ao trabalho. E… – hesitou.
— E? O que mais?
— Eu quis aproveitar que tô afastado pra vir te ver antes de voltar às minhas obrigações.
— Eu sabia que você tinha vindo aqui só porque tava com saudade, Hanji – o sorriso sacana de Minho tomava sua face.
— Eu só vim devolver suas roupas, que saco! – bufou, incomodado com o interrogatório repentino. — Como que eu ia ficar com saudade se te vi na quarta passada?
— E podia ter visto no domingo se quisesse também – o Lee mudou o foco da conversa, vendo o mais velho arregalar os olhos.
— O quê? – piscou algumas vezes, questionando internamente se o Lee insinuava o que ele achava que estava insinuando.
— Por que você não me chamou pra passar o seu rut com você?
— Como é? – perguntou mais uma vez.
— É isso mesmo que você ouviu.
— E eu ouvi muito bem, só não tô acreditando na sua cara de pau mesmo!
— Que maldade, Hanji – suspirou, negando com a cabeça. — Pois saiba você que seriam as melhores 24 horas das nossas vidas…
— Você é ridículo, Lee Minho – ralhou, voltando a ficar de pé.
Precisava se manter distante do mais novo. Jisung sentia uma leve comichão surgir em suas entranhas com a simples possibilidade de passar um cio com o alfa ao seu lado – tanto seu lobo quanto ele próprio queriam isso, mas o Han sabia que não poderia, não daquele jeito, não sem uma conversa que ele não sabia como começar. Mas isso não impedia que sua pele se arrepiasse com as imagens e pensamentos que tomavam seu cérebro com a proposta. Ele não entendia se as sensações estranhas vinham de seu coração, de seu inconsciente ou de seu lobo, mas tudo aquilo formava uma corrente elétrica que percorria seu corpo.
— Para de fugir de mim, Hanji – pediu, imitando-o ao se colocar de pé. — Para de fugir de nós.
Assim que Minho deu um passo em sua direção, Jisung fez o mesmo, indo para trás.
— Quem disse que eu tô fugindo?
— Você tá literalmente fugindo – tentou se aproximar mais uma vez, obtendo a mesma reação do outro. — Viu?
— Lino… – começou a formular uma frase, mas não conseguiu pensar em como terminá-la, então agiu sem pensar. — Tó sua blusa – Han pegou a sacola de papel da mesa de centro, alcançando a camiseta que lhe tinha sido emprestada e jogando-a no rosto do mais novo para mantê-lo distante.
O ato tinha sido tão rápido que o de cabelos roxos não pôde desviar. Minho segurou a peça que caía de sua face, mas, ao invés de afastá-la do seu rosto, o alfa a trouxe mais uma vez até o nariz, inspirando profundamente. Cerrou as orbes e levou mais uma lufada de ar aos pulmões, permitindo que o aroma doce o dominasse.
O Lee sentiu algo se agitar dentro de si. Se fechasse os olhos com um pouco mais de força, teria a impressão de que poderia perceber com clareza a química de seu cérebro se alterando enquanto seu lobo tentava se comunicar consigo: era como se tivesse recebido um sopro do destino. Os pelos de sua nuca se arrepiaram, um calor inexplicável se apossou de seu baixo ventre e um sorriso involuntário tomou seu rosto.
Foi então que teve certeza.
— Hanji…
— Hm?
— Lembra que eu te disse que reconheceria seu cheiro mesmo sem nunca ter sentido ele antes?
— Sim… o que tem? – perguntou, tentando manter um ar despreocupado.
— O que seu cheiro tá fazendo na minha blusa?
Jisung arregalou os olhos, abrindo e fechando a boca várias vezes.
— O q-quê?
— É seu cheiro, não é? – cheirou mais uma vez, tendo a sensação de que poderia inspirar o aroma leve de maçã pelo resto da vida. — Meu lobo diz que sim.
— Você deve estar louco, eu lavei essa roupa! – exasperou-se.
— Hanji, se esse fosse o cheiro de um amaciante, eu mandaria comprar todo o estoque dele – ergueu os olhos, mirando as íris castanhas. — Eu sei que esse é o seu cheiro.
— Deixa eu ver! – Jisung puxou o tecido com força assim que largou a sacola no chão, levando-o até o próprio nariz e arregalando os olhos quando percebeu que o alfa falava a verdade. — Droga, eu devia ter lavado mais uma vez.
— Não devia – respondeu, puxando a camiseta novamente para si. — Se você tivesse lavado mais uma vez, eu não sei se teria sentido seu cheiro – levou a peça mais uma vez ao rosto, não fazendo questão de controlar ou esconder sua vontade de sentir o aroma que exalava do pano macio. — E você não tem noção de quanto tempo eu esperei pra descobrir como você cheirava.
— Para com isso, parece que tem um parafuso a menos, seu maníaco.
— Já disse que sou maníaco por você. Maníaco por tudo em você – chegou mais perto, mas dessa vez Jisung não recuou. — Pelo seu corpo… – puxou o outro pela cintura.
— Minho…
— Seus olhinhos redondos – deixou um beijo no olho direito. — Seu cabelo, seu rosto – levou a destra até o rosto surpreso, deslizando a mão entre os fios castanhos e a bochecha em um afago.
— Lino…
— Eu sou doido pela sua voz – aproximou o rosto do pomo de adão de Jisung, deixando um beijo casto ali. — E pelo seu cheiro, que eu acabei de conhecer, mas já é o meu preferido entre todos os cheiros do mundo — Minho afundou o rosto no pescoço do outro, tentando sentir direto da fonte o aroma que já parecia tão familiar. — Hanji?
— Hm? – murmurou, a cabeça tombada para o lado oposto em deleite.
— Por que eu não sinto o seu cheiro? – tentou respirar mais fundo sobre a pele sensível, mas se afastou assim que percebeu que não sentiria nada.
— Eu tomei inibidor, ele ainda funciona.
— E como seu cheiro acabou na minha blusa se você só usou naquele dia? – perguntou, mas não obteve resposta além de um Jisung envergonhado desviando o olhar. — Você não usou só naquele dia, certo?
— Uhm – o mais velho não teve coragem de responder em palavras, mas concordou em um resmungo.
— Mas se seu inibidor ainda funciona e seu cheiro não saiu mesmo lavando, quando você usou? – questionou, mesmo sabendo que o outro continuaria em silêncio. — Hanji, você… usou essa blusa durante o seu cio?
— Não?
— Jisung… por favor, seja sincero comigo – seus olhos refletiram um lampejo dourado, mostrando que seu lobo queria se fazer presente, e Jisung se arrepiou.
— Sim – respondeu, não conseguindo escapar da sinceridade exigida. — Eu posso ou não ter levado suas roupas pro meu ninho por engano.
— Por engano?
— Óbvio – disse rápido.
— Tem certeza? – ergueu uma sobrancelha em desafio.
— Claro que tenho! O que você tá querendo insinuar, Lee Minho?
— Eu não tô querendo insinuar nada, Han Jisung…
— Bom mesmo… – murmurou com ar convencido, sendo interrompido.
— Eu tô afirmando com todas as letras… – disse, aproximando-se um passo. — Que você… – mais um passo. — Quis meu cheiro no seu ninho… – outro passo. — Você me quis no seu ninho.
Não haviam mais passos a serem dados. A essa altura, Jisung já estava encurralado entre a parede de vidro e o corpo grande do Lee, o cenho franzido e as mãos trêmulas por ter sido descoberto tão facilmente – por ter se entregado tão facilmente.
— Eu… eu nã- – Minho o cortou outra vez.
— Pera aí – ergueu uma sobrancelha em questionamento. — Você fez um ninho?
— Fiz…
— Não entenda como uma crítica, até porque eu amei saber que meu cheiro tava com você durante o seu cio – sorriu, levando a mão até o pescoço do outro e acariciando-o com o polegar. — Mas eu conheci poucos alfas com o costume de fazer um ninho durante o rut.
— Pois é… – deu de ombros.
— Eu mesmo já tentei, mas não achei tão bom quanto parece. É muito trabalhoso pra desmanchar depois de um dia só.
— Isso é verdade – confessou. — Ontem eu passei a tarde inteira desfazendo o ninho e lavando roupas…
— Ontem? – questionou.
— É quase tão cansativo quanto passar pelo cio…
— Só ontem? – murmurou entre a fala do mais velho, como se só agora as engrenagens em seu cérebro começassem a girar.
— Vai ver por isso as pessoas sempre pedem pro parceiro montar o ninho, né? Faz sentido… – o Han falava sem parar, mal reparando nas reações do rapaz de cabelos roxos.
— Hanji! – chamou mais alto, finalmente atraindo a atenção dele para si. — Por que você demorou três dias pra desmanchar seu ninho, se o seu cio terminou em um dia?
— Eu? – arregalou os olhos com a constatação. — Quem disse isso?
— Hanji…
— Você tá viajando – negou com a cabeça, exasperado.
— Você mente muito mal, Jisung…
— Mas que saco! – bateu a palma da mão na própria coxa. — Para de dizer que eu tô mentindo.
— Então para de mentir pra mim, caramba!
— O que você quer saber, Lee Know? – suspirou, subitamente cansado e vencido.
— Não me chama assim – negou com a cabeça, machucado.
— Pergunta, Lino. O que você quer saber? – o Lee soltou um ofego com a possibilidade.
— Cheiro mais doce, ninho, cio de três dias…
— Eu nunca disse que meu cio durou três dias… – interrompeu.
— Eu presumi, Jisung – bufou. — Intuição.
— Diacho de intuição – resmungou, tirando uma risadinha incrédula do mais novo.
— Hanji…
— O que, Lino? – perguntou, verdadeiramente exausto por se esconder de Minho há tanto tempo.
— Você…?
— Eu…?
— Você não é um alfa, é? – perguntou finalmente. Como tirar o curativo da ferida.
— Eu… – suspirou, limitando-se a negar de cabeça baixa.
O silêncio tomou conta do ambiente. Jisung era incapaz de erguer o olhar, envergonhado. Em contrapartida, o Lee o mirava estático, com milhares de pensamentos passando por sua cabeça. Alguns pontos faziam muito mais sentido para si agora.
— Você tá decepcionado?
— Decepcionado? – Minho indagou, não entendendo o que o outro queria dizer com aquilo.
— É – constatou. — Eu sei que você prefere alfas… você mesmo disse.
— Jisung…
— Tá tudo bem se você não me quiser mais, eu vou entender.
— Jisung…
— Todo mundo tem suas preferências, tá tudo bem. Não é como se eu fosse passar a noite toda chorando pensando nis- – foi interrompido com um selar rápido em seus lábios.
— Eu prefiro você.
— O quê?
— Não importa o que você é – Minho levou ambas as mãos até a cintura fina, puxando Han para si. — Eu sempre vou preferir você.
— Lino, eu…
— Eu não sei o motivo pra você ter escondido isso de mim todo esse tempo, e não preciso saber se você não quiser, mas se esse segredo era o que te impedia de ficar comigo… por favor, não foge mais da gente – apertou as laterais do corpo do outro como se isso fosse impedi-lo de fugir. — Por favor, Hanji – levantou os olhos marejados. — Por favor, não foge de mim.
— Eu… – também ergueu o olhar, sentindo-se quase desesperado ao perceber como o outro parecia fragilizado. — Eu cansei de fugir.
Quando os olhos se cruzaram, isso bastou para que Jisung tomasse sua decisão. Ele não aguentava mais se prender ao julgamento que terceiros poderiam ter ao descobrir que seu clã não era liderado por um alfa; não estava mais disposto a colocar outras pessoas antes de si como sua prioridade.
Sem pensar uma segunda vez, o mais velho projetou o corpo contra o do alfa, sabendo que responder com palavras não seria suficiente para demonstrar o que sentia – o quanto estava disposto a se entregar de corpo e alma. Mesmo que tenha colado os lábios com pressa, eles se encontraram como se tivessem todo o tempo do mundo. Já haviam trocado beijos outras vezes, mas agora a sensação era diferente: era como se finalmente tivessem se entregando um ao outro, como se tivessem se conectado verdadeiramente. De corpo, alma e coração.
As línguas dançavam em um frenesi lento e sensual. As mãos de Minho mantinham-se firmes na cintura pequena, enquanto os dígitos de Jisung embrenhavam-se entre os fios roxos sedosos. Não estavam dispostos a se separar tão cedo; a ânsia, a saudade e o desespero para estarem juntos eram mais fortes do que qualquer necessidade patética de seus corpos de recobrar o fôlego.
— Lino… – o sussurro saiu baixo, quase um gemido, assim que o mais novo desceu os lábios para seu pescoço.
— Eu quero você – respondeu simplesmente, afastando-se da pele agora úmida para olhá-lo nos olhos.
O dourado de suas íris se fazia presente, embora o Lee ainda detivesse o controle de seu corpo. A mão cheia de veias subiu para o maxilar de Jisung, envolvendo-o com cuidado e firmeza ao mesmo tempo, fazendo Han se derreter sob o toque e instintivamente conseguir burlar os efeitos do inibidor.
— Jisung.
— Hm? – murmurou, completamente entregue. Os olhos ainda fechados.
— Seu cheiro… – afundou o rosto na nuca quente, embriagando-se com o aroma forte de maçã. — Quero sentir o seu cheiro pelo resto da minha vida.
— O resto da vida é muito tempo – esforçou-se para responder.
— O resto da vida é pouco pra nós dois – rebateu. — Se Luna me permitir, passo toda a eternidade com você, mesmo que eu precise renascer mais de mil vezes.
— Minho… – sentindo algumas lágrimas escorrerem de seus olhos, Jisung não conseguia mais se expressar claramente em meio ao turbilhão de emoções e sensações que tomava seu corpo.
— Eu quero te conhecer – a voz levemente mais grave do lobo de Lee Know foi ouvida, fazendo os pelos de Jisung se eriçarem. — Não importa que sejam prateados ao invés de dourados, eu só… preciso de você.
O mais velho continuou do mesmo modo: as orbes bem fechadas e a boca entreaberta, tentando puxar o máximo de ar que conseguia para seus pulmões. Os lábios de Minho distribuíam selinhos por sua boca, maxilar e pescoço em uma tentativa de incentivá-lo a abrir os olhos.
— Hanji…– chamou em um sussurro, ouvindo um muxoxo por parte de Jisung. — Deixa eu conhecer o seu lobo, ômega.
Algo em seu interior se remexeu. Seu lobo uivou tão alto dentro de si que o Han poderia jurar que Minho o tinha escutado. Jisung sentiu o coração martelar em seu peito e simplesmente soube que sua parte lupina estava ali, mais presente do que nunca.
Os olhos marejados tremeram antes de serem abertos aos poucos, tentando se adaptar à luz ambiente depois de tanto tempo fechados. Quando estavam totalmente abertos e olhavam em direção aos olhos do outro, Jisung teve certeza que haviam mudado de cor, por mais que não pudesse vê-los.
No entanto, se os visse naquele momento, estaria tão surpreso quanto o mais novo, pois o tom que preenchia suas íris era desconhecido tanto para ele próprio quanto para o Lee. Minho abriu a boca minimamente em completo assombro, maravilhado com o que via pela primeira vez.
— Lilás – murmurou atônito. A ponta dos dedos tocando a maçã de seu rosto para constatar o que via.
— O quê? – perguntou baixinho, apreensivo com o que o mais novo diria na sequência.
— A cor dos seus olhos.
