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- Mais um empurrão, vossa graça.
Alicent Hightower não tinha motivo algum para odiar suas duas última gestações ou seus trabalhos de parto. Aegon era um bebê mediano e veio ao mundo surpreendentemente rápido apesar de ser seu primeiro filho, a gestação de Helaena foi mais dolorida por conta de seu tamanho, mas fora um desconforto a mais o parto foi um sucesso.
Mas nesta terceira gestação sua sorte parecia ter acabado, ela sangrou os primeiros meses e embora a gravidez tenha continuado a mesma parecia diferente das outras, todo o seu corpo doía terrivelmente e seu humor era péssimo, ela não conseguia cuidar dos dois filhos mais velhos e seu nervosismo com tudo fazia com que ela rezasse ao sete fervorosamente para essa provação acabar.
Agora mais uma vez na cama de parto, esse bebê mostrava-se mais uma vez diferente de seus irmãos. Suas dores começaram no dia anterior depois do jantar, o dia passou e agora anoitecia rapidamente e seu bebê parecia não querer deixar o corto de seu ventre.
- Por favor, Mãe. Por favor. - sussurrou a rainha enquanto empurrava com toda a sua força mais uma vez. Finalmente os sete pareciam ter tido misericórdia dela quando o alívio foi instantâneo, seus ouvidos ainda zumbiam de tanto esforço, mas ainda assim ela foi capaz de ouvir um choro poderoso.
As largamos escorriam de seus olhos sem seu controle, seu corpo inteiro doía terrivelmente e ainda assim ela juntou forças mais uma vez para expulsar a placenta de seu corpo. Quando tudo realmente terminou seu corpo pode amolecer contra sua cama finalmente.
- Deixe-me ver meu bebê. - pediu fracamente ao meistre que examinava o pequenino com atenção. Embora a ordem tenha sido clara, ainda assim foi ignorada quando o homem soltou um suspiro e continuou de costa para a rainha. - Dê-me meu filho, meistre.
- Peço perdão, vossa graça. - falou o homem enquanto enrolava o bebê em um cobertor bordado com dragões dourados e o segurava nos braços. - Mas seu pai Lorde Mão pediu para que a criança fosse apresentada a ele assim que nascesse.
- Eu não perguntei gentilmente meistre. Isto foi uma ordem de sua rainha. Entregue meu bebê imediatamente. - seus instintos ômegas gritavam. Se o grande meistre estava levando o bebê para seu pai só podia significar uma coisa: ela deu a luz a mais um ômega, falhou pela terceira vez e ela sabia que desta vez seu pai seria mais rigoroso.
- Sim, vossa graça. - relutantemente o pequeno bebê foi depositado em seus braços enquanto o meistre fazia uma reverência e saía do quarto.
- Tayla.
- Sim, vossa graça?
- Corra imediatamente até o rei. - disse enquanto lutava com as lágrimas de terror que queriam ser derramadas, o nó na garganta fazendo sua voz sair falhada. - Avise-o que o bebê nasceu, faça com que ele venha até mim de um jeito ou de outro.
- Imediamente, vossa graça.
Alicent lutou para respirar enquanto via sua única serva leal correr por entre as portas de seu quarto, era sua única esperança, se Viserys viesse para visitar a criança seu pai não ficaria por perto.
Seus olhos finalmente abaixaram para o lindo bebê em seus braços, bochechas rosadas e gordinhas, queixo pontudo, um nariz fino e proeminente, sem sobrancelhas e com um grande tudo de cabelo tão prateada que tornava-se invisível. Pela beleza de seu bebê ela sabia que ele tornaria-se um lindo menino conforme crescesse.
Lentamente ela repousou o bebê em suas pernas e trabalhou com as mãos trêmulas em seu cobertor para revelar seu pequeno corpo, ele era mais comprido que Aegon, mas mais magro, dez dedos nas mãos e nos pés, cada membro de seu corpo em perfeito estado. Respirando profundamente ela separou suas perninhas para examinar entre sua pernas, suas lágrimas não puderam mais ser controladas porque pela terceira vez ela deu a luz a uma criança sem um pênis, mais uma vez ela condenou uma criança a ser uma peça nas mãos de homens poderosos.
- Desculpe. Sinto muito. Peço perdão. Falhei com você meu menino, meu lindo menino. - sussurrou entre as lágrimas, Alicent sentia que poderia sufocar, e mesmo quando seu bebê abriu seus lindos olhos violetas brilhantes para ela, tudo o que pode sentir era desespero, porque ela falhou com sua família, com seu pai, com seu marido, e principalmente com seus filhos. Eles seriam massacrados, a mercê de homens e alfas, que os controlariam como bem entendessem.
Ela podia uma leve comoção no corredor, limpando sua lágrimas ela embrulhou seu filho no cobertor novamente e o trouxe para seus braços em um aperto firme, deuses como ela rezava para que fosse Viserys, ou até mesmo Rhaenyra, qualquer um menos seu pai. Mas parecia que os deuses tinham a abandonado mais uma vez, porque nos próximos segundos a figura esguia de seu pai, coberto em roupas com diversos tons de verde entrou em seus aposentos.
- Chegou ao meu conhecimento que você deu a luz mais uma vez minha queria rainha. - disse brandamente, ele moveu-se lentamente até o seu lado da cama examinando seu filho. - Deixe-me ver meu novo neto, minha queria filha.
Seu omega parecia estar em agonia profunda, seu lindo filhotinho não estava seguro, ele nunca estaria seguro com eles homem que estendia seus braços. Mas como? Como ela poderia recusar seu pai? Como ela poderia ir contra a única pessoa que continuou ao seu lado? Ela não sabia como fazer isso, ela nunca soube e provavelmente nunca conseguiria descobrir.
- Seja rápida, Alicent. - disso o pai em um suspiro. - Deixe-me conhecer o novo príncipe do reino.
Relutantemente e com seu omega agonizando, ela entregou o embrulho ao seu pai, rezando mais uma vez para que ele olhasse o rosto da criança e fosse embora, para que Viserys aparecesse e fizesse algo de útil pelo menos uma vez.
Ela assistiu seu pai se distanciar e voltar para a mesa onde o meistre examinou seu bebê, ela viu com horror o momento em que ele abria seu cobertor e examinava a falta de um membro entre suas pernas. Seu coração batia sem controle, ela sabia que seu cheiro provavelmente parecia podre ao olfato de qualquer um agora, mas ela não podia evitar, estava apavorada com o que viria a seguir.
- Você me decepciona, Alicent.
- Sinto muito. Perdão. - ela não conseguia respirar normalmente enquanto via a figura de seu pai voltar ao seu lado da cama e segurar seus pulsos para puxa-la fora da cama. Seu corpo inteiro doía protestando contra a ideia de ficar em pé, mas ainda assim ela obedeceu ao comando.
- Eu te fiz rainha. Te fiz a segunda pessoa mais poderosa dos seres reinos, e é assim que você retribui a mim? A sua família? - seus olhos lacrimejavam e sua garganta segurava seus soluços apesar da dor deste feito, ela queria que ele desaparecesse, queria gritar e dizer que nunca pediu para ser rainha, que não queria estar nesta posição, que deveria ter cortado a garganta antes do casamento, mas ela não podia. - Você só tinha uma única tarefa, minha filha. Dar a luz a alfas homens ao rei, para que nosso reino fosse próspero sem aquela aberração de princesa alfa.
Seus soluços não puderam mais ser controlados, eles eram altos e angustiados, seu cheiro apodrecendo tão fortemente que fez seu lindo filhotinho começar a chorar com sua angústia.
- Mas ao invés de abençoar seu rei com alfas masculinos e fortes para a segurança do reino, você deu a luz duas aberrações ômegas. Ômegas masculinos. Coisas nojentas e vis que vão contra a nossa fé. Como pode me envergonhar desta maneira? - seu aperto subiu para os ombros e a sacudiu fortemente antes de enfiar a mão esquerda entre seus cabelos e a mão direita segurando seu rosto. - Você é meu maior trunfo e minha maior decepção.
Rhaenyra
Ela sabia que deveria ficar bem longe da rainha, Alicent pertencia a seu pai, elas não eram mais amigas e nunca poderiam ser mais do que isso agora.
Mas depois de ela mesma tornar-se mãe no ano anterior, ela não conseguia se acalmar, Alicent passou por outro trabalho de parto o mais longo dos três e mais uma vez sozinha.
Apressou seus passos para chegar na parte da fortaleza em que a rainha se aposentava e não se surpreendeu quando deparou-se com seu pai indo na mesma direção.
- Rhaenyra. - disse surpreso, o rei sabia da animosidade que restou entre seus esposa e sua filha depois se seu casamento, e definitivamente não esperava que sua primogênita estivesse interessada na rainha ou em seus novos irmãos.
- Pai.
- Devo dizer que não esperava sua presença neste momento, minha filha.
- A Rainha ficou quase um dia inteiro em trabalho de parto. - respondeu de forma cortês. - Depois de experimentar a cama de parto eu mesma, acredito que seria incrivelmente de má vontade não me compadecer com a situação da rainha. Faço questão de saber de sua saúde pela boca da própria rainha.
- Isso me alegra muito minha querida. Tenho certeza que Alicent ficará feliz de vê-la.
Seu pai sorriu enquanto beijava uma de suas mãos e depois encaixou na curva de seu cotovelo. Ele parecia relaxado e de muito bom humor.
- Já escutou se é uma menina ou menino? - perguntou.
- Ah, a serva que me avisou do nascimento não especificou, mas você sabe que.... - a voz de seu pai morreu quando eles atingiram o corredor do aposento da rainha. Toda aquela ala fedia a desespero e angústia, o cheiro de lilás de Alicent estava apodrecido, os soluços e lamúrias de omega soando altas, o choro constante e quase sem fôlego de um bebê.
Rhaenyra correu puxando seu pai até violar as portas do quarto. Durante alguns segundos ela parou sem saber o que fazer.
Otto Hightower parecia a imagem de um homem enlouquecido, segurando a garganta de Alicente e sacudindo-a, ela tinha marcas de mãos nos braços nus e seu rosto parecia adquirir um leve tom arroxeado. Seu pai tinha o rosto retorcido em fúria e berrava em seu rosto.
- Eu deveria ter matado Aegon quando ele nasceu, aquela aberração que você trouxe o mundo apenas para me amaldiçoar. Mas não vou cometer o mesmo erro duas vezes, esse maldito omega que você deu a luz agora não viverá para ver a luz do dia.
- OTTO. - fazia anos que Rhaenyra não reconhecia o dragão alfa que era seu pai, ele sempre estava pronto para agradar a todos e continuar em seu mundinho pacífico, mas ali diante daquela cena, o último montador de Balerion parecia um pesadelo de qualquer homem. - O ACHA QUE ESTÁ FAZENDO COM MINHA ESPOSA?
- Meu rei. Eu, eu....
Seu pai não era uma guerreiro, não era um lutador, mas ele ainda era um alfa. Ele mobimentou-se rapidamente agarrando Otto e arrastando-o para longe de Alicent, ele ouvia os gritos de seu pai, mas sua concentração estava na rainha que caiu no chão ainda respirando com dificuldade.
- Alicent. Respire profundamente.
- Meu bebê. - ela chorou enquanto desmoronava em seus braços, seu corpo inteiro tremendo. - N-não deixe que ele o toque, Nyra.
- Seu filho vai ficar bem. Prometo.
Alicent
Ela estava acordando lentamente enquanto ouvia os barulhos ao longe, sentia um corpo pequeno agarrado ao seu braço esquerdo e outro no ombro direito.
Seus olhos abriram para observar o teto de seu quarto, seu corpo doía terrivelmente ela não tinha qualquer força restante para se mover e ainda assim tentou enquanto gemia.
- Não se preocupe. Você está bem. Todos vocês estão.
Alicent virou para a sua direita para encontrar Rhaenyra sentada em uma poltrona confortável com amamentando seu próprio bebê enquanto velava o sono de seu filho no berço que repousava ao seu lado.
- O que aconteceu? - perguntou lentamente enquanto olhava para todo o quarto para situar-se. Seu Aegon de quatro anos estava enrolado ao seu lado esquerdo em um aperto forte demais para uma pequena criança. Helaena dormia pacificamente de uma maneira que nunca havia visto em seus dois anos de vida.
- O rei condenou seu pai por traição. - respondeu a princesa enquanto suspirava. Ela fez um barulho estranho que beirava o choque e o alívio. - Você apagou por três dias, Alicent. Pensamos que você nos deixaria.
- Três dias. Tudo isso?
- Sim. Aegon estava inconsolável, trouxe ele e Helaena para sua cama porque as carteiras disseram que seus cheiros ajudariam você sentir a segurança deles. - continuou falando enquanto entregava seu filho para uma serva e arrumava o vestido. - Leve Jacaerys para o berçário.
- Como desejar, alteza.
- Tentamos fazer com que seu bebê se alimentasse da ama de leite que você escolheu, mas ele parecia aterrorizado. Vesti um de seus robes e o enrolei em uma de suas mantas, eu mesma o amamentei. Espero que não se importe, mas nenhuma outra solução funcionou.
- Você o amamentou. - a rainha sussurrou.
- É claro. - a princesa parecia ofendida com seu choque. - Eu sei que não fui a pessoa mais fácil depois de seu casamento com meu pai, e sinto muito por ter sido cruel. Mas quero te garantir que nunca deixaria meu irmão morrer fome. Todos os três, e qualquer outro filho que você dê a luz depois deles sempre estarão seguros. Eles são meu sangue. - a princesa agarrou sua mão e acariciou como fazia antes, seu corpo relaxou diante do toque tão familiar.
- Como eu disse antes. Otto foi severamente questionado e depois condenado a morte. - disse suspirando. - Isto não é tudo. Estamos descobrindo que talvez a cidadela e os meistres estavam trabalhando em conjunto com seu pai. Algo a sobre as aberrações que são as alfas femininas e ômegas masculinos. Ainda há muita investigação a ser feita. E para toa a corte a única verdade até o momento é que seu pai será executado por atentar contra a vida da rainha e dos príncipes. Estamos tentando manter a discrição sobre o assunto dos meistres até termos provas o suficiente, meu pai não quer precisar tomar medidas drásticas como no reinado de Maegor.
- Então.... Ele irá morrer? - perguntei sufocando com meus próprios soluços e lágrimas.
- Sim, Alicent. Ele será executado ainda hoje. Eu sei que apesar das circunstâncias ele ainda é seu pai, e sinto....
- Obrigada. Obrigada, Nyra. - balbuciei enquanto puxava sua mão e a beijava. Finalmente ela estava livre, suas lágrimas escorriam sem controle, e seus soluções queriam se transformar em risadas, mas ela não se importava porque agora não precisava se preocupar com a segurança de seus filhotes, agora era seguro novamente.
- Descansa, Ali. Vocês quatro estão seguros.
